Esperar por ônibus no Distrito Federal não é confortável. De acordo com o Transporte Urbano do DF (DFTrans),  um quinto   das mais de 4,7 mil paradas, com base em dados de setembro do ano passado, está em más condições ou avariadas. Da quantidade total, pelo menos 1,8 mil não têm abrigo para os passageiros e são os pontos sinalizados por placas, ou os chamados pontos habituais, que existem apenas por força de costume da comunidade, sem qualquer traço de identidade.

Quando mesmo os locais convencionais não apresentam boas condições, o jeito é improvisar. Arranjos de plástico e pinturas, por exemplo, são usados para identificar um determinado lugar como parada e também servem como protesto. Em certos casos, moradores levam até sofás velhos para aguardar o coletivo passar.

Segundo o DFTrans, são gastos R$ 100 mil mensais para reparar e manter os abrigos dos pontos. O contrato atual, que passou a vigorar em setembro, vai até maio, o que significa cerca de R$ 1,2 milhão investidos em manutenção. A autarquia informou não ter planos de diminuir o custo com o serviço “porque grande parte das avarias é resultante de vandalismo.”

No Pistão Sul, em Taguatinga, entre a pista principal e uma marginal, em frente a um hotel, o único abrigo oferecido pelo ponto de ônibus é provido por uma estrutura “caseira”. Onde deveria estar um local para dar o mínimo de conforto aos passageiros em espera, há um arranjo rústico, com telhas de plástico fazendo as vezes de teto e uma pintura feita à mão com o dizer “parada”.

Idosos

Na QNP 10 de Ceilândia Sul, moradores afirmam que um ponto habitual existe há mais de 20 anos entre a quadra e a QNN 36 e nunca houve sequer esboço de uma construção no local. A indignação cresce, pois em um sentido da via há uma parada de mármore comumente vazia, no outro, os passageiros se escoram em um poste.

As amigas aposentadas Miriam de Santana, 70 anos, e Carmem Soares, 83, precisam  recorrer a um guarda-chuva e ficar em pé por até uma hora à espera de um ônibus. “Para quem trabalha deve ser pior, pois chega aqui às 6h ou 7h e fica à mercê da malandragem, sem proteção”, critica Miriam.

A amiga   sofre  de asma  e diz que ao menos ter um lugar para se sentar a ajudaria   a “se sentir menos mal”. “Na minha idade, tudo dói, tudo é complicado”, reclama. Elas ainda têm esperança de solução para a situação. O problema é que,  no aguardo do ônibus, nem ao menos esperar sentada elas poderão.

Fonte: Jornal de Brasilia

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